Cedro obtém aprovação de licença ambiental para o ‘Porto do Meio’ de R$ 3,6 bilhões em Itaguaí (RJ)

A Comissão Estadual de Controle Ambiental (Ceca) aprovou a emissão da Licença Ambiental Integrada (LAI) para o Porto do Meio, terminal de minério da Cedro Participações previsto para Itaguaí, no Rio de Janeiro. A autorização representa uma etapa do licenciamento do empreendimento.

O projeto ficará entre os terminais da Vale e da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), no Porto de Itaguaí. Segundo a Cedro, a estrutura integra os planos de expansão da empresa e poderá atender também outras mineradoras.

A decisão foi divulgada em 15 de outubro de 2026. A Cedro Participações, que atua em mineração de ferro e infraestrutura logística, planeja conectar o terminal à malha ferroviária da MRS Logística.

Porto do Meio

O empreendimento deverá ligar regiões produtoras de Minas Gerais ao litoral fluminense e ao mercado externo. A implantação, a conexão ferroviária e o possível acesso de outras empresas estão entre os aspectos previstos para o Porto do Meio.

Licença ambiental e arrendamento da área ITG02

O investimento estimado pela Cedro Participações para o Porto do Meio é de R$ 3,6 bilhões. A autorização ambiental prevê, inicialmente, capacidade para movimentar pelo menos 15 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

A área federal destinada ao projeto é identificada como ITG02 e foi arrematada pela Cedro em dezembro de 2024. O terreno será usado para instalar as estruturas do terminal.

O contrato de arrendamento da área tem duração de 35 anos, com possibilidade de renovação por mais 35. A aprovação para emissão da Licença Ambiental Integrada permite à empresa avançar nas etapas seguintes de implantação.

Terminal terá estrutura portuária e ligação com a malha da MRS

O projeto ocupa aproximadamente 250 mil metros quadrados e prevê um pátio para armazenar minério de ferro. Também está previsto um berço de atracação com profundidade de até 20 metros.



A conexão ferroviária será feita com a malha da MRS Logística, que liga o Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, ao litoral do Rio de Janeiro. Por essa rota, a carga poderá seguir das regiões produtoras até o terminal para embarque ao exterior.

Segundo a Cedro, a estrutura poderá receber minério de outras empresas, incluindo mineradoras de médio porte que hoje recorrem a instalações de grandes grupos ou a intermediários para exportar pelo Porto de Itaguaí. A companhia aponta que o acesso ao terminal pode viabilizar a contratação direta de serviços portuários e acordos comerciais de longo prazo.

Obras, empregos e planos de expansão da Cedro

A implantação está estimada em três anos e inclui obras civis, dragagem, instalação de equipamentos portuários e montagem de sistemas eletromecânicos. A Cedro projeta que o período de maior atividade das obras reúna cerca de 3 mil empregos diretos e indiretos.

Após o início das operações, a previsão da empresa é manter 256 postos de trabalho diretos. A Cedro também estima que o empreendimento possa gerar R$ 1,2 bilhão em tributos municipais, mas não especificou o período considerado para esse cálculo.

A empresa produz 2,5 milhões de toneladas de minério de ferro bruto em Mariana e 4,5 milhões em Nova Lima, ambas em Minas Gerais. Seu plano é elevar a produção no estado para 20 milhões de toneladas anuais até 2032, com foco em pellet feed de alto teor de ferro, utilizado pela indústria siderúrgica.

Em Mariana, a Cedro obteve aprovação ambiental para um projeto de R$ 3,5 bilhões que prevê o beneficiamento local de 10 milhões de toneladas anuais de minério bruto. José Carlos Martins, presidente do Conselho de Administração da Cedro Participações, afirmou que o terminal faz parte do plano de crescimento da empresa até o início da próxima década e deve dar mais independência às exportações de minério de ferro.



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